por  Otto Muehl

A acção é dividida em várias fases. Primeiro, vem a natureza-morta. Começa de um modo bastante económico. Começamos com água quente em cima dos corpos dos modelos, que escorre — não causa nenhum estrago. Depois, vem o azeite, várias sopas com bolinhos de massa, carne e vegetais, talvez um cacho de uvas. A seguir [...], vem a cor: ketchup, doce de laranja, e escorre sumo de beterraba vermelha. A pele ainda continua visível. Depois isto começa a avançar e vou buscar a artilharia pesada. Eu fazia muitas vezes massa, que se esticava por ali abaixo de uma forma pesada, ou um ovo, farinha, ou couve. Por fim, despejava penas de cama. Havia ali uma certa estrutura, no modo como os materiais eram utilizados uns a seguir aos outros. Era quase como cozinhar. Uma vez também fiz "As Nádegas Panadas". Primeiro, leite; depois, farinha, ovo e pão ralado. Eu não usava o corpo todo — só o cu, muito provocante. A mulher ajoelhava-se num sofá, com o cu virado para o publico. Primeiro, borrifava as nádegas com leite. Depois, passava-lhes farinha por cima, como se estivesse a panar escalopes de vitela. A farinha ficava colada. A seguir, espalhava a gema do ovo por cima disso e, por fim, o pão ralado. Ficava com um aspecto verdadeiramente fantástico!



tradução de Vasco Teles de Menezes, do livro "Diário da Bicicleta" de David Byrne – ou para mais informações do grande ''cozinheiro'' Otto Muehl é ler esta entrevista


a 28.1.13
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