há cerca de um ano atrás, mais ou menos qualquer coisa, estava a regressar, depois de um ano (e mais qualquer coisinha) em Lisboa. um ano que me pareceu na altura com mais momentos baixos do que altos, mas que, sabendo hoje, muito rico e sobretudo a deixar uma saudade de um tamanho imenso. muitas vezes coloquei o "se": e se eu tivesse ficado lá? aguentado?
não. hoje sei que fiz a opção certa, por muito que me custe estar onde estou, de coração apertado e cheio de vontade de voltar.
2012 de regresso à casa mãe (seja lá o que isso for) não foi um ano tão ou mais alegre. mas passou, e passou por mim com uma rapidez que ao pensar bem nisso é de assustar. o meu estômago adoeceu, os meus ovários adoeceram, os meus pulmões, coitados, adoeceram e de que maneira, julguei estar a envelhecer como naquele filme com o Robin Williams, onde ele tem uma doença em que envelhece de uma forma muito rápida... e até varizes me apareceram. mas a cabeça ganhou juízo, manteve-se firme. e o coração, apertadinho, aguentou. rijo. rijo quase como uma pedra.
e assim fazendo um balanço de 2012, sem conseguir deixar o ano anterior de parte (e esse sim, um ano filho da puta), acho que uma medalhinha de mérito devia ter recebido. foi um bravo teste de resistência, e sinto-me bem sucedida (e repare-se, há quanto tempo tanta intimidade aqui não era exposta? eis um exemplo). 2013 é cheio de expectativas nenhumas, o que me pareceu um bom começo — antes o aguentar do que a táctica de planos que acabam sempre por me sair em desilusão. continuo com todos os sonhos assinalados, com todas as frustrações acumuladas, com a vontade de voltar a Lisboa (à qual me apeguei mais do que a minha própria cidade) e continuo a querer o emprego numa livraria (esta faz também parte da categoria "frustrações"), mas já tudo se aguenta, com calma, paciência e mais maturidade. e admito que com alguns comprimidos e murros na mesa de vez em quando também. há em mim um maior controlo emotivo e isso foi uma grande barreira ultrapassada. a menina continua muito menina, mas guarda em segredo uma mulherzinha, com menos fragilidade (viva à sanidade!),  não deixando nunca a lágrima no canto do olho, os joelhos esmurrados das quedas, e outros tantos defeitos e mais alguns aos quais me apeguei.

mas se 2013 me quiser dar mais um bocadinho de resistência, aceito sim, que nunca é demais.


a 16.1.13
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1 comentários:

Diana Almeida

muita, mas muita força contigo.