Não estejas só. Tu também és
o que já foste e o que esperaste
vir a ser. A manhã que se aproxima

há-de passar, não importa. Para já,
os diligentes aviões da madrugada
sobrevoam o desenho das colinas

de Lisboa — e cá dentro, muito fundo,
numa redoma de música, os amigos
ainda bebem para esquecer

o futuro, que outro remédio
não têm, se a hora não se repete
e a vida é só esta espuma.




"Nocturno com Aviões", poema de Rui Pires Cabral


a 2.1.13
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