Apegamo-nos demasiado aos homens
essas criaturas bidimensionais e inocentes
à sua pele
aderente como uma teia de aranha.
Ficaria ali até que não restasse nada de mim
nada.
Até que começamos a pesar-lhes
como se de repente engordássemos.
Então perguntamo-nos
o que aconteceu e
quando.
Inevitavelmente tornamo-nos
éticas patéticas pelenpentéticas
pesadas peludas pelenpenpudas
aparecem-nos brancas rugas
cáries estrias verrugas
o sangue não circula.
Explodem-nos por dentro.
Levam a nossa pele pegada em tiras
e nas suas mãos algum órgão fácil de vender.

Realmente não sabem o que fazem
só querem livrar-se da carga.



de Miriam Reyes em "Terra e Sangue"

a 7.6.13
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