se me perguntarem se tenho medo da morte, não tenho. há um medo característico da dor, do sofrimento. há um pesar ainda maior, terrível mesmo, na perda de alguém. mas de todas as doenças, a que me assusta mesmo mesmo, é o Alzheimer. perder a noção do tempo, do ser, de toda a minha memoria, e eu tenho uma excelente memoria, é aterrador. Still Alice não é um filme assim tão especial, excepto que me pôs a chorar baba e ranho, por esta coisa que me perturba. perturba a qualquer um, quer dizer, é um tema acessível, sensível, qualquer filme sobre doenças põe uma mulher de coração mole. mas eu, apesar de toda a minha fofidão, não me considero uma pessoa que se afecte por este tipo de filmes. sou bastante pragmática e insensível a tudo o que esprema as emoções através dos "coitadinhos". a não ser isto, esta doença feia, este medo dela. há uma altura em que Alice (Julian Moore, sempre muito bem) diz que preferia ter cancro. acho que foi exactamente aí que desatei no choro compulsivo, compreendi perfeitamente. a memoria é a vida, é onde está tudo escrito, o passado, o agora, e os planos futuros. é como se fossemos desvanecendo progressivamente. como se de repente, a nossa existência deixasse de existir. tirem-me o pulmão, mas não me tirem a memoria.


imagem de Still Alice, 2014

a 7.3.15
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