Quando fui a Londres ao National Portrait, furei cada salinha até este quadro, que deve ter sido no qual mais me demorei. Não por ser o melhor ou mais bonitinho (não me parece possivel uma hierarquia nisto) mas porque 1. sempre gostei da Kate Bush; 2. ainda estava a digerir O Monte dos Vendavais; 3. sempre me fascinou a imagem de uma Emily Brontë fechada em casa, numa biblioteca, absorta por todos os livros e com a unica experiencia de vida e relações humanas adquirida apenas através da leitura (que foi esse mesmo motivo que me levou a ler O Monte dos Vendavais); 4. a ideia de que numa familia de quatro irmãos tenham sido as três irmãs a serem bem sucedidas e não a figura masculina, que acaba por cair no esquecimento, numa época em que a condição feminina não tem direito a relevancia nenhuma. Acho que esta pintura representa sobretudo esta ultima alinea. ali, entre as três irmãs, aparece Branwell em modo fantasma. Branwell é também o autor deste retrato (além de pintar, era ele também poeta, embora nunca lhe tenha lido nada). Foi o primeiro dos Brontë a ser publicado, mas sem grande sucesso e acabou por ter uma vida bem miserável e afundado no alcool.
Enquanto isso as irmãs foram progredindo e são hoje mais conhecidas que o tremoço, embora os livros de Charlotte, Emily e Anne tenham surgido originalmente com pseudónimos masculinos, como na altura acontecia com muitas escritoras.  Feministas de todo mundo,  rejubilem-se! 


a 2.4.15
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