Raymond Radiguet da praia de Piquey, Setembro de 1921



"A propósito do Diable au Corps

Quis-se encontrar no meu livro algumas confissões minhas.
Que erro! Os padres conhecem bem esse mecanismo da alma, observando em mulheres e em rapazes muito novos, o das falsas confissões, pelo qual as pessoas se acusam de más acções que não cometeram, tudo por orgulho. É para dar ao Diable o relevo de um romance que tudo nele é completamente falso, e também para contar a psicologia do rapaz, herói do livro. Esta fanfarronice faz parte do seu carácter.
Esses prodígios prematuros do espírito que em poucos anos se transformam em prodígios de asneiral.
Haverá alguma família que não tenha uma criança-prodígio? Foram elas, as famílias que inventaram a palavra. Claro que existem crianças-prodígio. Mas nunca são essas. A idade não interessa. É a obra de Rimbaud o que me espanta, não a idade em que foi escrita. Todos os grandes poetas escreveram aos dezassete anos. Os maiores de todos são os que conseguem fazê-lo esquecer.
O sr. Paul Valery, a um inquérito recente «Porque escreve?», respondeu: «Por fraqueza.»
Julgo que, pelo contrário, fraqueza seria não escrever. Acaso Rimbaud parou de escrever, duvidando de si próprio e para cuidar da sua reputação futura? Penso que não. Faz-se sempre cada vez melhor. Que os tímidos que não ousam mostrar as suas obras na esperança de virem a fazer melhor, não vejam nisto, todavia, uma desculpa para a sua fraqueza, porque, em certo sentido, mais subtil, nunca se faz melhor, nunca se faz mais mal feito."


notas de Raymond Radiguet, incluidas no prefácio de O Baile Do Conde De Orgel.


[não me lixem com esta da idade não importa. Radiguet viveu apenas 20 anos. porra, 20 anos!]


a 19.8.15
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